Berlim (Temporada 2)
O ladrão mais carismático de La Casa de Papel voltou — e a Netflix já transformou a série em maratona do momento
CULTURA POP
WJ Martins
5/17/20265 min read


Berlim (Temporada 2):
O ladrão mais carismático de La Casa de Papel voltou — e a Netflix já transformou a série em maratona do momento
O universo de La Casa de Papel voltou ao centro das conversas nas redes sociais. A segunda temporada de Berlim estreou na Netflix em meados de maio e rapidamente assumiu espaço entre as produções mais assistidas do streaming, reacendendo discussões sobre o personagem vivido por Pedro Alonso e o verdadeiro potencial do derivado que nasceu cercado de desconfiança. A nova fase chegou globalmente em 15 de maio de 2026, com oito episódios e um novo grande golpe criminal no centro da narrativa.
Para muita gente, Berlim parecia um projeto condenado a viver na sombra de La Casa de Papel. Afinal, transformar um personagem secundário — ainda que extremamente popular — em protagonista absoluto sempre parece uma aposta arriscada. Só que existe um detalhe importante: Berlim nunca foi um personagem comum.
Elegante, manipulador, romântico, imprevisível e intelectualmente arrogante, Andrés de Fonollosa sempre roubou cenas na série original. Mesmo dividindo espaço com personagens extremamente populares, havia algo magnético nele. Seu cinismo, sua teatralidade e sua obsessão quase filosófica pelo amor e pelo crime transformaram Berlim num dos nomes mais lembrados da franquia.
Agora, a pergunta mudou.
A série finalmente encontrou sua identidade própria ou continua dependendo demais da nostalgia?
O retorno: mais um roubo gigantesco, mais caos e mais obsessões amorosas
Na nova temporada — também chamada em alguns mercados de Berlim e a Dama com Arminho — o personagem lidera um novo plano criminoso envolvendo joias valiosas e uma operação internacional extremamente ambiciosa. A série amplia a escala do golpe e mantém a fórmula que já definiu a primeira temporada: romance, tensão, manipulação e criminalidade estilizada.
O elenco principal retorna com nomes como:
Michelle Jenner como Keila;
Tristán Ulloa como Damián;
Begoña Vargas como Cameron;
Julio Peña Fernández como Roi;
Joel Sánchez como Bruce.
A Netflix também expandiu o universo narrativo adicionando novos conflitos e figuras que tornam a dinâmica menos dependente da memória afetiva de La Casa de Papel. Esse talvez seja um dos maiores desafios da série.
Porque, sejamos sinceros: nenhum spin-off sobrevive apenas de fan service por muito tempo.
O grande problema da temporada 1: excesso de romance?
Se existe uma crítica recorrente ao primeiro ano de Berlim, ela é bastante clara: muita gente achou que a série tinha romance demais e assalto de menos.
Em fóruns, comunidades e discussões de fãs, uma opinião apareceu repetidamente: parecia que o golpe criminoso frequentemente virava pano de fundo para dramas amorosos do protagonista. Comentários de espectadores em comunidades online resumem bem esse sentimento, pedindo “mais heist, menos romance” ou reclamando de uma abordagem considerada excessivamente melodramática.
Mas aqui existe uma questão interessante.
Será que isso realmente era um defeito?
Berlim sempre foi um personagem emocionalmente caótico. Diferentemente do Professor, estrategista frio e racional, Berlim é impulsivo, teatral e profundamente movido por desejo.
O romance excessivo não necessariamente contradiz o personagem — talvez apenas revele quem ele sempre foi.
A segunda temporada parece entender melhor esse equilíbrio, tentando preservar o charme romântico sem deixar o roubo desaparecer completamente do foco narrativo.
O fator “maratona Netflix” continua funcionando
Existe algo curioso em Berlim: ela parece ter sido feita sob medida para binge-watching.
Episódios relativamente curtos, cliffhangers constantes, personagens exageradamente dramáticos e tensão construída quase como novela criminal fazem a série funcionar muito bem em maratonas de fim de semana.
É aquele tipo de produção que começa como “vou assistir um episódio antes de dormir” e, quando você percebe, já são três da manhã.
Isso ajuda a explicar por que a produção rapidamente entrou no radar dos assinantes logo após a estreia global. O formato favorece retenção, conversa online e viralização em vídeos curtos, memes e edits de personagens.
Aliás, há um ponto que merece atenção: o público de La Casa de Papel envelheceu junto com a internet.
Hoje, fãs consomem séries simultaneamente enquanto comentam no TikTok, Instagram, Reddit e X (Twitter). Uma produção como Berlim não vive apenas da história — ela vive do debate.
“Berlim é genial ou irritante?”
“Esse romance funciona ou atrapalha?”
“Vale o spin-off ou é puro caça-níquel?”
Essas perguntas alimentam engajamento.
E streaming adora engajamento.
O carisma absurdo de Pedro Alonso continua sendo o coração da série
É difícil ignorar: quase tudo em Berlim gira em torno da performance de Pedro Alonso.
Sem ele, talvez o projeto sequer existisse.
O ator sustenta diálogos exagerados, momentos absurdamente dramáticos e mudanças bruscas de humor sem fazer o personagem parecer completamente ridículo.
Na verdade, esse é o truque da série.
Berlim funciona porque vive permanentemente entre o charme e o desastre.
Você nunca sabe se ele está prestes a fazer algo genial, apaixonado ou completamente irresponsável.
Essa imprevisibilidade mantém a atenção do espectador.
Ao contrário do Professor, cuja inteligência frequentemente tornava tudo calculado demais, Berlim parece sempre caminhar no limite entre controle e caos.
E isso cria tensão.
Prós e contras da nova temporada
Pontos positivos
1. Expansão do universo de La Casa de Papel
A série continua aprofundando um personagem extremamente querido sem depender apenas de flashbacks.
2. Ritmo viciante
Os episódios seguem a estrutura perfeita para maratona.
3. Produção visual elegante
Fotografia, figurino e ambientação continuam sofisticados, mantendo o DNA estilizado da franquia espanhola.
4. Pedro Alonso domina a tela
Mesmo quem critica o roteiro geralmente reconhece a força do protagonista.
Pontos negativos
1. Drama romântico ainda divide opiniões
Parte do público continua sentindo falta de foco maior nos golpes.
2. Comparação inevitável com La Casa de Papel
O spin-off ainda sofre ao ser medido contra uma série gigantesca.
3. Alguns exageros narrativos
Há momentos em que o roteiro força coincidências ou sentimentalismo excessivo.
Vale assistir?
Depende do que você espera.
Se sua expectativa é repetir exatamente a adrenalina de La Casa de Papel, talvez venha alguma frustração.
Mas se você entende Berlim como uma mistura entre thriller criminal, romance obsessivo e drama psicológico estilizado, a experiência melhora bastante.
A série não tenta ser uma cópia do original.
Ela tenta ser mais emocional, mais sedutora e mais impulsiva — exatamente como seu protagonista.
A opinião do AllMix: Berlim funciona porque é imperfeito
Talvez o maior acerto do spin-off seja justamente não transformar Berlim em herói perfeito.
Ele é narcisista, manipulador, excessivo e frequentemente toma decisões absurdas.
Mas também é inteligente, magnético e estranhamente humano.
Isso gera algo raro no streaming atual: um protagonista impossível de ignorar.
A segunda temporada talvez não revolucione o universo de La Casa de Papel, mas reforça uma verdade simples: às vezes, um personagem forte basta para carregar uma produção inteira.
E Berlim continua roubando atenção — mesmo quando o assalto nem começou direito.
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